Pelo quarto ano consecutivo não vou ter férias no verão. Aliás, este é o sexto ano consecutivo em que não tenho mais de 5 dias seguidos de férias.
Eu que até sou rapariga para preferir repartir os dias ao longo do ano para poder fazer as minhas viagenzecas pela Europa, que nunca tirei mais de 10 dias de férias seguidos, estava capaz de fazer uma loucura por 15 dias de papo para o ar, com areia nos pés, sal no corpo (e algum cloro) e uma tez ligeiramente bronzeada (nem com um mês as estorricar, a minha pele passa o nível do ligeiramente bronzeado).
Precisava de descansar o corpo e, principalmente, a cabeça. Não pensar em nada… ou pensar na minha vida. Fazer um balanço do que foi e do que eu gostava que ela viesse a ser.
Um mês de férias no outro lado do mundo também não era mal pensado. Passear no meio dos cangurus, ir ver a Ópera de Sidney, banhar-me no Pacífico, dar um pulinho à Nova Zelândia, fazer festas nas vaquinhas (sem pisar os seus presentes) e ver verde… muito verde.
Também podia ir passar uma temporada no Rio de Janeiro. "Viver" em frente à praia, beber água de coco, passear no calçadão, aumentar a colecção de Havaianas e Melissas, ir às compras, comer pão de queijo e farofa… fazer vida de novela. Era bom!
Mas não!
Quando a vida me dá uma oportunidade tirar umas férias dignas desse nome, ir para um destino de "sonho", sem data de regresso, o que é que eu faço? Aceito a primeira proposta trabalho que me fazem. Se ao menos pudesse dizer que é "o trabalho da minha vida". Mas não! Trabalho temporário a ganhar bem menos que no subsídio de desemprego (um dia destes talvez tenha paciência para explicar por A + B o porquê da minha decisão).
Resultado: a D. Inês vai ficar, mais uma vez, a trabalhar todo o verão e a ver e vai e vem (bronzeado) de toda a gente.
Tudo em nome da (so called) carreira. O 756 sei que me deixa Olaias… vamos lá ver onde é que esta me leva!







